22 maio 2006

Amanhã é segunda-feira... dia de picar o boi.

Bem, por acaso até é hoje, porque isto já passa da meia-noite.

Adiante.

Talvez nunca tenham ouvido semelhante coisa, mas esta expressão de "picar o boi" é na verdade amplamente utilizada nesse Portugal profundo.
O curioso acerca desta expressão é a sua origem.

Os opinion-makers sem cultura dirão que tem algo a ver com a utilização de bois na agricultura, em que se picava o boi com um espeto qualquer para ele fazer alguma coisa de jeito. E dirão certamente que não seria mau de todo aplicar semelhante tratamento a certas pessoas, que podia ser que resultasse.

Mas nós ("nós" quem, né? :p) aqui do SóMesmoNaquela sabemos A VERDADE.
E A VERDADE é que os bois eram espetados sim senhor... mas não era com um espeto.

Na verdade, foi numa terreola qualquer ali para os lados de Freixo-de-Espada-à-Cinta que foram utilizados pela primeira vez os speeds. Num boi, claro. Depois, um belo dia, apanharam o presidente da Junta a dizer "moooooooo" enquanto o padre o picava, mas isso é outra história.

O que interessa é que por volta de 1819 se tornou hábito, em várias terras do interior, injectar bois com speeds, LSD, cocaína e desentupidor de canos à base de soda cáustica, com uma pinguinha de limão. Claro que isto trouxe problemas, e em 1919 essa prática foi abandonada. O facto de o azeite Gallo ter sido criado no mesmo ano não deve ser visto como mera coincidência.

Porém, a expressão ficou. Como era hábito dar a dose semanal à segunda-feira (não me perguntem porquê...) e era uma dor de cabeça do caraças (de vez em quando lá começava um boi a dançar como se estivesse numa rave em vez de trabalhar)... "segunda-feira... dia de picar o boi".

Só mesmo naquela.

17 maio 2006

Maternidades

Ponto 1: o Estado deve assegurar os chamados "serviços mínimos" a TODA a população. Afinal, é para isso que pagamos impostos. Para suportar serviços que, obviamente, não dão lucro. Evidentemente que seria estúpido fazer um grande hospital em cada aldeia. Não só porque a despesa seria monstruosa, mas também porque um hospital só funciona bem se tiver muitos "clientes". Isto é especialmente notado em áreas que lidam com o imprevisível. Como a cirurgia. Ou como a obstetrícia.

Isto gera um dilema: por um lado, pretende-se fazer chegar os serviços a todos. Por outro, pretende-se concentrar, promovendo a qualidade do serviço. Como resolver esta questão? Que critérios devem ser usados? Qual é a máxima "distância" aceitável ao hospital, ou centro de saúde, ou maternidade, ou escola,...., mais próximo?

A resposta deve, obviamente, ser dada por quem percebe do assunto. Não é o Zé da tasca nem o Zé do Governo que deve responder, e sim os especialistas que, levando em conta as opiniões dos vários intervenientes no processo - médicos e pacientes, professores e alunos, conforme.... - e apoiando-se nos dados existentes, devem procurar responder a estas questões e indicar o que deve ser feito.
Foi isso que o Governo pensou. E foi isso que o Governo fez - ou antes, mandou fazer. E os resultados estão aí, goste-se deles ou não.
Haverá critérios economicistas/políticos nesses estudos? Espero que não, mas não o garanto.
A confirmar-se a inexistência dessa "poluição", o Governo só pode fazer uma coisa: pegar o touro pelos cornos, arranjar coragem e seguir À LETRA as recomendações. Mais nada.

Ponto 2: Quanto à ideia de levar algumas mães portuguesas a ter os filhos em Espanha, acho-a muito pouco sensata. Até pode ser, cientifica e logicamente, a melhor opção - mas há os sentimentos das pessoas, que nestas coisas TÊM de contar. Ser obrigado a ir à terra do lado para ter os filhos pode não ser confortável, mas pronto. Agora, a outro país?

Ponto 3: Ali em cima meti "distância" entre aspas. Não foi por acaso. Uma coisa são 20/30 quilómetros de boa estrada/autoestrada/caminho-de-ferro. Outra, são 20/30 quilómetros de estradas menos que secundárias. É por isso que é importante construir boas estradas/caminhos-de-ferro em todo o lado. Porque isso melhora a acessibilidade. Portanto, antes de criticar o dinheiro gasto numa estrada ou num troço de caminho-de-ferro, pensem nisso. (O que não impede que algumas dessas obras sejam escusadas. Aí sim, questionemo-nos

Pensem nisto e digam alguma coisa. Só mesmo naquela.

16 maio 2006

Bandeira vermelha

Ir a banhos com bandeira vermelha vai dar multa.

Se perceberam que vão deixar de poder tomar banho enquanto seguram uma bandeira vermelha na mão, descansem. Não é nada disso. Esse vosso hábito esquisito é, quanto muito, sinal de que talvez não fosse má ideia fazer um exame psiquiátrico...

O que vai dar multa é um gajo estar muito bem na praia e assim do nada resolver ir dar umas braçadas enquanto a bandeira do nadador-salvador está vermelha.
Dirão alguns que isto não é mais que uma forma de sacar dinheiro ao pessoal. Que se um gajo, mesmo com a bandeira vermelha, resolve ir dar umas braçadas, é problema dele. O chato é que isso não é verdade. Quer dizer, é verdade que isto é, também, uma forma de sacar dinheiro ao pessoal. Mas é uma medida justificada. Passo a explicar o meu ponto de vista:

Imaginem que eu vou à praia. Apetece-me tomar uma banhoca, mas tá bandeira vermelha. O mar está perigoso mas eu, banhista de fim-de-semana, não me apercebo. Entro no mar, dou umas braçadas e... drama, tragédia, horror! Caio num fundão! Ou a corrente puxa-me para alto mar com uma força sobre-humana! Ou coisa do género!
Nessa altura, o que acontece? Pois, o nadador-salvador lá tem, porque a isso é obrigado, de me tentar salvar. Mas tentar mesmo! O que em certas condições (especialmente aquelas que justificam a bandeira vermelha...) é arriscar a vida. Talvez me salve, talvez não. Talvez nem ele se salve.

Percebem a minha ideia? O ponto é este: quando eu vou ao banho com a bandeira vermelha, não sou apenas eu a correr alto risco. Sim, alto risco, ou então a bandeira não estaria lá. Estou a pôr também em risco a vida do nadador-salvador. E ao passo que o "direito" de pôr em risco a nossa vida, e só a nossa vida, ainda possa ser discutível, não podemos pôr, intencionalmente, em risco a vida dos outros. Uma coisa é obrigar o nadador-salvador a intervir quando ocorre uma situação de todo imprevisível - é para isso mesmo que eles lá estão. Outra, é obrigá-lo a intervir graças à nossa estupidez.

Portanto, acho bem que se tome esta medida. Embora ache que ela, por si só, não seja suficiente. Não basta proibir e multar, há que sensibilizar e educar. E aqui é que se vê a atitude de quem decidiu esta medida: é que sensibilizar e educar custa dinheiro. Proibir e multar rende dinheiro. E o resto, acho que vocês chegam lá... só mesmo naquela.